Doze de Junho. Gastei todo meu tempo tentando escolher a
flor perfeita, aquela que possuía as pétalas mais simétricas e o arranjo
mais sofisticado. Passei minutos pensando se aquela orquídea lilás
combinaria com o quarto dela e se aquele laçarote não faria de mim o
homem mais brega do mundo. Já no carro,
lembrei que havia esquecido de comprar um cartão, então corri de volta a
floricultura e peguei o primeiro impresso que vi, no qual estava
escrito: “Você é meu amor, sabia?”
Toquei meia campainha e a porta rapidamente abriu-se, como
se ela tivesse adivinhado que eu estava chegando. Além de linda ela
estava visivelmente ansiosa. Sorri como aprendi nos filmes e em meio a
tanto chichê das comédias românticas fiz a mágica de retirar a flor
escondida atrás das costas. Ela sorriu, agradeceu e foi direto ao
cartão. Abriu-o como se tivesse faminta pelas minhas palavras e
esperasse que naquele pedaço de papel eu tatuasse meus sentimentos mais
inconfessáveis. Sim, ela deixou a planta de lado e deu de cara com um
papel escrito por outra pessoa, em larga escala de impressão e com
dizeres extremamente genéricos. Naquele dia perdi a grande chance de ser
único e percebi algo imenso, que mudaria a minha vida dali em diante:
Sutilezas têm um poder devastador.
Finalmente enxerguei a linha tênue e quase invisível que
separa os simples presentes das grandes surpresas. Vi nos olhos
decepcionados dessa antiga namorada o que todas as mulheres querem dos
homens e, por incrível que pareça, não são apenas flores, chocolates,
jantares e nem mesmo cartões. As mulheres esperam atitudes que
demonstram que seus homens as entendem melhor do que elas próprias são
capazes. Isso pode parecer assustador, mas mesmo que não venham com
manual de instruções, as mulheres querem ser inteiramente lidas,
aprendidas e, então, percebidas como peças únicas em toda galáxia.
Sim homens, pode parecer excesso de detalhismo, mas comecem
a enxergar de verdade a mulher que dorme ao teu lado. Não abram apenas
portas de carros, mas também os olhos e ouvidos para todos os detalhes e
demonstrações feitas por elas. Liguem-se nos pequenos comentários, nas
mínimas peculiaridades que as tornam única em meio a tantas outras e com
isso, serão machos únicos também.
As surpresas mais ricas não são feitas com anéis de
brilhante tirados de cartolas mágicas, ou de caminhões lotados com rosas
colombianas. Surpreender uma mulher é dar-lhe algo, seja uma palavra,
experiência, carinho sexual ou mesmo um presente, que demonstre o quanto
você prestou atenção nela, o quanto você fez questão de entendê-la
mesmo quando ela não soube como fazê-lo. Os presentes mais grandiosos
cabem numa caixinha de fósforo, podem até ser feitos com tinta de caneta
Bic, mas com certeza não servem tão bem para nenhuma outra mulher, pois
precisam ser esculpidos e lapidados somente pra sua, ou pra aquela a
quem quer encantar.
Surpreender de verdade é:
Entregar-lhe um bombom não apenas para matar-lhe o
constante já redundante desejo chocólatra, mas para mostrar que, pelas
pernas que não paravam de balançar, você percebeu que ela estava ansiosa
por alguma coisa.
Aprender a fazer bolinho de arroz para impressioná-la em
plena terça-feira, mesmo que ela só tenha dito uma vez na vida o quanto
ela ama comer esse quitute.
Dar-lhe uma sapatilha nova, mas não apenas por saber que
todas as mulheres do mundo amam sapatos, mas por ter prestado atenção em
cada reclamação dela, dizendo o quanto ela odeia a dor que sente nos
pés toda vez que é obrigada a usar salto alto.
Comprar um cartão inteirinho em branco somente para
preenchê-lo com palavras que podem não significar nada para o resto da
humanidade, mas que para ela e somente pra ela, resumem tudo.
Chupá-la e penetrá-la exatamente do jeito que a faz rasgar
os lençóis, porque como homem, você nunca deixou de observar atentamente
cada contração, latejar e orgasmo do corpo dela.
Ao fazer dela o material de estudo mais interessante que
existe, você não tirará somente as melhores notas, mas conquistará
também o poder estremecedor de transformar simples atitudes em memórias
eternas.
(http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/04/12/o-poder-atomico-das-sutilezas/)

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